AI First ganhou espaço nas discussões estratégicas, mas a governança de dados ainda não acompanha essa evolução na maioria das empresas. Esse descompasso cria um cenário perigoso, onde a inteligência artificial é adotada antes da estrutura necessária para garantir consistência, qualidade e confiança nas decisões. Esse descompasso cria um cenário perigoso, pois ao invés de acelerar o crescimento, muitas empresas acabam ampliando riscos, inconsistências e decisões mal estruturadas.
No segundo episódio do Vibbracast, Leandro Oliveira conversa com Alcides Corazza Jr., Diretor de Tecnologia do Grupo RZK, uma holding com atuação em múltiplos setores, onde governança, previsibilidade e controle não são apenas importantes, mas essenciais para a sustentabilidade do negócio. Ao longo da conversa, fica claro que a IA, quando aplicada sem base, não resolve problemas, apenas os acelera.
IA sem governança: assista ao episódio completo!
Antes de avançar, vale acompanhar o episódio completo para entender como esses desafios aparecem na prática, especialmente em um contexto de alta complexidade organizacional.
Governança de dados: por que a IA não funciona sem base
A popularização da inteligência artificial criou um movimento natural dentro das empresas onde times passaram a experimentar ferramentas, testar aplicações e buscar ganhos rápidos de produtividade. No entanto, como Alcides destaca, esse movimento muitas vezes começa pelo lugar errado. Segundo ele, “muitas empresas começam por uma ferramenta e não pela raiz do problema” , o que compromete a capacidade de gerar valor real no longo prazo.
Esse padrão se repete porque a IA é, por natureza, mais atrativa do que o trabalho estrutural necessário para sustentá-la. Enquanto a tecnologia entrega resultados rápidos e visíveis, governança, qualidade de dados e revisão de processos exigem esforço contínuo e, muitas vezes, pouco visível.
Quando a IA acelera o problema em vez de resolver
Um dos pontos mais críticos do episódio é a diferença entre velocidade e consistência, pois a IA permite acelerar decisões e automações, mas isso não significa que essas decisões estão corretas. Alcides traz uma síntese direta desse risco ao afirmar que, sem estrutura, “você vai automatizar decisões que não estão estruturadas, você vai acelerar o problema” .
Esse é o principal erro das empresas que tentam implementar AI First sem preparação, onde a tecnologia passa a operar sobre uma base frágil, ampliando inconsistências em vez de corrigi-las.
Governança de dados como base de confiança
Em um grupo empresarial como o RZK, onde diferentes empresas convivem com níveis distintos de maturidade, a governança deixa de ser um tema técnico e passa a ser um pilar estratégico. Nesse cenário, Alcides reforça que é por meio da governança que a empresa consegue estabelecer diretrizes, padronizar processos e garantir qualidade nos dados. Sem isso, decisões passam a ser tomadas com base em interpretações diferentes da mesma informação, o que compromete a confiança organizacional.
Ele cita, inclusive, situações em que diferentes áreas apresentavam números distintos para o mesmo indicador, evidenciando a ausência de um modelo estruturado de governança. É nesse tipo de cenário que a governança se torna essencial, não apenas para organização, mas para viabilizar decisões estratégicas consistentes. Sem uma governança de dados estruturada, decisões passam a ser tomadas com base em informações inconsistentes, o que compromete diretamente a confiança organizacional e aumenta o risco nas operações.
O fator humano: por que governança é deixada de lado
Um dos insights mais interessantes do episódio está no comportamento das pessoas dentro das organizações, oned há uma tendência natural de priorizar o que é mais rápido e atrativo, segundo Alcides. Enquanto a IA entrega resultados imediatos, a governança exige disciplina, alinhamento e esforço coletivo. Esse contraste cria um desequilíbrio, onde as empresas avançam na adoção de tecnologia, mas postergam a construção da base necessária.
Além disso, a governança envolve múltiplos fatores que aumentam a complexidade, como:
- Processos
- Pessoas
- Sistemas
- Cultura
Como ele destaca, é necessário conciliar interesses, tempo e prioridades de diferentes áreas, o que torna esse processo menos atrativo no curto prazo.
Governança não é burocracia, é o que permite escalar
Existe uma percepção comum de que governança é sinônimo de controle excessivo ou burocracia. No entanto, o episódio mostra exatamente o contrário.
A governança é o que permite:
- Criar critérios claros
- Garantir qualidade de dados
- Alinhar diferentes áreas
- Sustentar crescimento com consistência
Sem esse conjunto de elementos, cada área passa a operar com sua própria lógica, o que gera desalinhamento e aumenta o risco das decisões. Como Alcides reforça, governança não deve bloquear inovação, mas sim permitir que ela aconteça de forma controlada e sustentável.
O papel da liderança em um cenário acelerado por IA
Com a inteligência artificial acelerando decisões, o papel da liderança se torna ainda mais relevante. Não se trata apenas de adotar tecnologia, mas de criar um ambiente onde governança, responsabilidade e inovação evoluam juntas. Com isso em mente, Alcides destaca que a liderança precisa atuar como patrocinadora desse movimento, garantindo que as diretrizes sejam seguidas e que exista alinhamento entre as áreas.
Além disso, é fundamental que líderes atuem pelo exemplo, promovendo uma cultura Data-Driven e decisões estruturadas. Esse ponto reforça que transformação tecnológica não acontece apenas com ferramentas. Ela depende de direcionamento estratégico e consistência na execução.
O que realmente diferencia as empresas na era da IA?
Ao projetar o futuro, o episódio traz uma reflexão importante: nos próximos anos, a tecnologia estará disponível para todos, o que reduz a vantagem competitiva baseada apenas em acesso. Nesse cenário, o diferencial estará na forma como as empresas se organizam!
Alcides resume isso ao afirmar que “a vantagem é maturidade e governança, não tecnologia”. Empresas com processos estruturados, cultura de dados e disciplina operacional terão melhores condições de tomar decisões e gerar valor com IA. Por outro lado, empresas que não evoluírem nesses aspectos tendem a apenas automatizar erros já existentes.
AI First exige governança desde o início
O principal aprendizado do episódio é direto: não existe AI First sem governança de dados. A inteligência artificial potencializa o que já existe dentro da organização, seja eficiência ou desorganização.
Por isso, empresas que buscam acelerar com tecnologia precisam olhar primeiro para sua base. Dados, processos, cultura e liderança precisam estar alinhados antes que a IA seja utilizada como aceleradora. Esse é o ponto onde muitas iniciativas falham, não por limitação tecnológica, mas por ausência de estrutura.
Assista ao episódio completo do Vibbracast
Se você está enfrentando desafios relacionados à adoção de IA, governança de dados ou dificuldade para escalar tecnologia com consistência, este episódio traz uma visão prática de quem está lidando com esses temas em um ambiente complexo e exigente.