O dev que não escreveu código e entregou 30 dias de trabalho em 7

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O que vou te contar é uma história real e recente. Algo que eu nunca vi acontecer nesses meus quase 20 anos de mercado.

Em fevereiro contratamos o Fabio Espindola Bittencourt para integrar o nosso novo time de desenvolvimento interno, focado em Squad Cognitivo. O Fábio tem seis anos de experiência sólida como fullstack. Know-how forte em Typescript e Node. Perfil que gosta de arquitetura, que não se contenta só com interface. Um cara técnico, organizado e criterioso.

No seu primeiro dia em um projeto de um cliente enterprise, ele recebeu duas estórias. A primeira estava estimada pelo time do cliente em 3 dias. A segunda, mais complexa, estava estimada em 27 dias, considerando uma pessoa dedicada 8 horas por dia.

Estamos falando de um cliente com mais de 30 anos de mercado. Time sênior. Média de 15 anos de experiência na equipe. Pessoas com cerca de 10 anos de casa. Código complexo e processo estruturado. Nada ali era amador.

Essas duas estórias, juntas, representavam cerca de 30 dias de trabalho de uma pessoa, no modelo tradicional. O Fábio entregou as duas para validação em 7 dias. E foram geradas aproximadamente 11 mil linhas de código. Ele não escreveu nenhuma e entregou em 23% do prazo original.

Resolvi perguntar como foi essa experiência. Vou compartilhar algumas aspas do que ele me trouxe.

“Um dos maiores problemas quando você entra em um projeto novo é o onboarding. Cada time tem seu padrão. Cada projeto tem suas particularidades. Você perde dias só tentando entender onde cada coisa está.” – Fabio B.

Quem trabalha no meio sabe exatamente do que ele está falando. Entrar em um novo projeto é quase como entrar em uma cidade desconhecida sem mapa.

Ele continuou:

“Com o modelo de Squad Cognitivo, essa fricção praticamente não existiu. A IA já tinha o caminho. Se não tinha, ela buscava em todos os projetos, em todas as pastas, reaproveitava o que fazia sentido ou escrevia o que precisava.” – Fabio B.

Isso muda completamente a experiência de onboarding e rampagem. Em vez de passar dias abrindo arquivos, procurando funções gigantes que ninguém entende, tentando decifrar decisões antigas, ele estava coordenando.

Ele fez uma analogia que achei interessante:

“É como se eu estivesse trabalhando ao lado de um desenvolvedor que está no projeto há 30 anos e sabe exatamente cada detalhe do código.” – Fabio B.

Só que esse desenvolvedor não esquece nada. Não se cansa e não replica erro antigo.

O papel do Fábio mudou completamente. Ele não estava digitando. Ele estava direcionando.

Ele gerava o prompt, o Agente PM organizava, quebrava tecnicamente e fazia um documento de requisitos impecável. Só isso, se um humano fosse fazer, demoraria mais de um mês, dada a riqueza de detalhes, apontando inclusive serviços e até linhas de código que precisavam ser alteradas.

Depois, o Agente Tech Lead orquestrava a execução com os demais agentes. O QA criava cenários de teste automaticamente. O código passava por revisão, uma, duas, três vezes. O Fábio disse:

“Eu usei boa parte do meu tempo para entender os requisitos e testar os fluxos de ponta a ponta. Eu não estava preocupado em escrever código. Eu estava validando arquitetura e comportamento.” – Fabio B.

Isso não é sobre produtividade. Isso é sobre deslocamento cognitivo. Sobrou tempo para o Fábio pensar e fazer algo de muito mais valor para o negócio, do que pensar na solução técnica ou escrever código limpo e otimizado.

Interessante é que ele já tinha trabalhado em times onde metade usava Copilot e a outra metade utilizava outros modelos. O resultado, segundo ele, era previsível:

“Código difícil de manter, pontos de falha, problemas de segurança, coisas óbvias passando.” – Fabio B.

No projeto com Squad Cognitivo, o cenário foi o oposto.

“Eu abro o arquivo e entendo o que está acontecendo. O código está limpo, organizado, fácil de manter. Não tem aquela sensação de que a IA alucinou e alguém deixou passar porque estava funcionando.” – Fabio B.

Esse é um ponto crítico. Não é IA solta. É IA dentro de um processo estruturado. Ou seja, não tem alucinação, não tem código ruim, não tem código extra gerado sem controle. Se a IA que o dev usa faz isso, o problema não é a IA. É o direcionamento do dev ou o processo de uso da IA que está errado.

Eu estou no mercado tech há quase 20 anos e nunca vi algo assim acontecer em projetos complexos, em cliente tradicional, com código legado, em produção real.

Contratação + onboarding + rampagem + primeira entrega robusta = Menos de 2 semanas.

E não foi uma POC isolada em um cenário controlado. Foi um projeto real. Cliente real. Arquitetura real. Prazos e cobranças reais. Que humano consegue entregar 11 mil linhas de código de alta qualidade em 7 dias? Que humano consegue saber tudo de um projeto no dia 1?

O que aconteceu com o Fábio é uma prova de que não é sobre substituir o desenvolvedor. É sobre libertar o desenvolvedor do que ele não deveria mais estar fazendo. Ele não deixou de ser relevante. Ele ficou mais relevante e deixou de ser digitador: passou a ser engenheiro. Com disse o Fábio:

“Nesse modelo, se mover rápido no projeto e com isso acabar sendo mais produtivo na entrega, foi uma coisa bem satisfatória de ver acontecer.” – Fabio B.

E, sinceramente, depois de ver isso funcionando na prática, fica difícil defender que o futuro do desenvolvimento de software ainda é baseado em volume de pessoas escrevendo código. O que o Fábio viveu na prática é o novo mundo do desenvolvimento de software agêntico, com governança e processo estruturado para operar somando as competências humanas com as da IA.

Nós chamamos de Squad Cognitivo. O mercado chama de equipes híbridas. Você pode chamar do que quiser.

A questão é, agora você já pode, com o processo certo:

  • Ter um dev novo no projeto que já entrega em dias, não em semanas ou meses.
  • Ter garantia de qualidade do que esse dev novo vai gerar no projeto.
  • Entregar volume complexo com validação técnica já nos primeiros dias.
  • Ter um novo dev mais autônomo, sem sobrecarregar o time para conseguir entregar.

Pois é. Admirável mundo novo.

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