Fábrica de software, AMS, alocação: ainda funcionam na era da IA? O que conversei com Bruno Belini, executivo da Supero

Arte do episódio 09 do Vibbracast com Bruno Belini, executivo de tecnologia do Grupo Supero, sobre o futuro de fábrica de software, AMS e alocação na era da IA.

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Saiu esta semana o episódio do Vibbracast com o Bruno Belini, executivo de tecnologia do Grupo Supero, com mais de 20 anos de trajetória construindo modelos de fábrica de software, AMS, alocação e estruturas de delivery em escala para grandes empresas.

Esse episódio tinha algo diferente na origem. A Vibbra também nasceu, dez anos atrás, dentro do modelo de Talento como Serviço, uma variação da lógica em que o Bruno vem atuando no Grupo Supero. Ou seja, quando sentamos para gravar, éramos dois executivos que viveram na pele os mesmos modelos que agora estão sendo revistos por causa da IA. Não foi um papo teórico. Foi um papo de quem tem cicatriz.

O ângulo foi específico. Fábrica de software, AMS, alocação de squad: esses modelos ainda funcionam na era da IA? O que morre, o que se reinventa, o que fica?

Cinco pontos que quero destacar aqui.

Leandro Oliveira, da Vibbra, durante a gravação do Vibbracast, com Bruno Belini, do Grupo Supero, participando remotamente pela tela.

1. O papel que esses modelos tiveram (e por que estão sendo revistos agora)

O Bruno abriu situando o valor histórico desses modelos: fábrica de software, AMS e alocação foram, por muitos anos, o que trouxe organização para o delivery brasileiro. Governança, indicadores, SLA, previsibilidade, padronização. O cliente não sabia por onde começar, e esses modelos deram estrutura para a dor real.

Na fala dele:

“Esses modelos ajudaram a mudar o mercado. Trouxeram ordem quando ninguém sabia por onde começar.”

Mas, em 2025, com a IA entrando de vez no fluxo de desenvolvimento, toda a fundação começou a ser questionada. Preço, estratégia de crescimento, competitividade, ritmo de entrega, papel dos times. O Bruno usou a palavra que registra esse momento:

“A IA está fazendo a gente reviver tudo.”

Ou seja, o que os modelos tradicionais entregavam de estrutura agora precisa ser reconstruído em cima de outra premissa. E as consultorias e software houses que operam nesses modelos são as primeiras a sentir.

2. O dev vira orquestrador (e a analogia do Waze)

O Bruno explicou a mudança do papel do desenvolvedor com uma analogia que qualquer pessoa entende:

“Todo mundo aqui sabe a rota pro trabalho. Mas eu ligo o Waze mesmo assim. Por quê? Pra ver se tem trânsito, se tem acidente, se faz sentido desviar. O dev com IA é a mesma coisa. Ele sabe o caminho técnico. Mas agora tem um agente do lado que oferece rotas alternativas, e o papel dele é orquestrar.”

O dev sai da posição de “quem digita código” e vai para a posição de “quem faz as perguntas certas, valida caminhos, escolhe a melhor rota”. Menos digitação e mais direção.

Esse ponto conecta direto com o que a gente vem defendendo no modelo de Squad Cognitivo na Vibbra, em que o desenvolvedor migra da execução para a orquestração de agentes. Ver essa mesma leitura chegar por meio de um executivo que vem de uma cadeia diferente do mercado é sinal claro de que a tese está pegando.

3. O cliente chega com o protótipo já pronto

Esse insight muda a economia do relacionamento consultoria-cliente. Antigamente, quando o cliente tinha uma ideia, ele levava a ideia para o dev, e o dev fazia a prototipação, a ideação, a concepção. O dev era o gatekeeper do “vira código”.

Hoje, com Lovable, Bolt, v0 e afins nas mãos de qualquer pessoa, o cliente chega à reunião com o protótipo já pronto na tela. Às vezes, é o próprio product manager da empresa cliente que abriu o Lovable no domingo de manhã. Traduzindo: o dev perdeu o monopólio do “posso construir”.

Isso muda a forma como o modelo de fábrica de software precisa se posicionar. Não é mais entregar mão de obra para digitar, e sim entregar acelerador, contexto, arquitetura, validação. É subir a régua.

4. O caso do bid ganho em um dia

Essa história real que o Bruno trouxe chancela tudo o que conversamos.

O Bruno contou que a Supero foi chamada como terceiro fornecedor numa concorrência. Cliente novo, sem histórico com eles. E, na primeira ligação, o cliente falou:

“Olha, se vocês quiserem mandar algo, o bid fecha amanhã.”

Um dia.

O time da Supero pegou a gravação da reunião, alimentou uma plataforma interna deles (o SmartDoc, uma esteira multiagente que faz backlog, refinamento, cronograma, análise de risco) e, em um dia, entregou: um protótipo navegável, com front, com mock de dados, com as cores do cliente, com acesso para ele testar direto.

O cliente entrou na sala no dia seguinte, olhou para o protótipo e disse:

“É isso que eu quero. Vamos negociar preço.”

Os outros fornecedores foram descartados na hora. Todos ainda operando no modelo tradicional de “vou fazer proposta em três dias”. Isso é o que a IA permite agora, e é o exemplo mais tangível do que o Bruno chama de reinvenção do modelo.

Bastidores da gravação do Vibbracast, com Leandro Oliveira no estúdio e Bruno Belini participando remotamente, enquanto câmeras e equipamentos de transmissão registram o episódio.

5. Ruptura ou evolução incremental?

Nesse ponto, o Bruno pegou o dilema estratégico que separa a Supero de dois anos atrás da Supero de hoje. E que separou também a Vibbra de 2025 da Vibbra de agora. Vale reproduzir o argumento inteiro.

Existem duas posturas no mercado:

Primeira: fazer melhorias incrementais, automatizar um fluxo comercial, colocar IA num pedaço do call center e melhorar o preenchimento do CRM, tudo isso visando Ganho real e localizado.

Segunda: fazer ruptura, repensar modelo de negócio, contratação, escala, venda, produto, ou seja, não usar IA para melhorar o processo antigo, mas para construir um processo novo.

A frase do Bruno:

“Ou eu faço uma ruptura, ou eu estou fora.”

A Supero está fazendo. Este ano, lançou produtos internos e fez uma aquisição estratégica, comprando uma empresa não pelo know-how técnico, mas pelo know-how de negócio.

“A gente já tem estrutura tech forte. O que a gente comprou foi capacidade de falar a linguagem de negócio do cliente.”

Puxei o paralelo na hora. Foi exatamente a decisão que eu e a Juliana, minha sócia, tomamos no final de 2025 para reposicionar a Vibbra em 2026. Deixar para trás o Talento como Serviço, que foi o modelo de dez anos, e assumir a consultoria de implantação do modelo cognitivo nas empresas. Foi dura. Foi radical. Foi ruptura, não incremento.

Quem entendeu que o momento pede ruptura já se movimentou. Quem ainda está calculando se compensa está perdendo posição enquanto pensa.

Bônus: quando o RH constrói o próprio software, sem chamar a TI

Antes de fechar, o Bruno contou um caso interno da Supero. O time de DHO, o RH da empresa, precisava de uma plataforma para gestão de turnover, métricas de cultura, análise de pessoas. Antigamente, essa demanda ia para a fila da TI. Hoje, a própria líder de DHO construiu a plataforma. Não pediu, não abriu ticket, não esperou, e sim chegou com o produto pronto na mão. E hoje a Supero usa essa ferramenta como padrão interno de gestão de pessoas.

Se você lidera consultoria de tech e ainda acha que “só o dev sabe construir”, esse caso vale mais reflexão do que qualquer relatório de mercado. Está no episódio.

Onde ouvir o episódio completo

Episódio completo no YouTube e no Spotify. Links abaixo.

🎧 Spotify: https://open.spotify.com/episode/0BabULylm8v2bibOAukreY?trackId=2ZzKT153YQfhi7NPLspa2q

🎧 YouTube: https://youtu.be/YSytgkeJ_DQ

São cerca de 50 minutos. Vale cada um, especialmente se você lidera uma consultoria de tecnologia, opera uma fábrica de software ou tem qualquer estrutura de delivery em escala e está sentindo a IA questionar a fundação do seu negócio.

O Bruno também abriu espaço para quem quiser conhecer o SmartDoc, a plataforma que a Supero está usando na frente comercial e no setup de projeto. Vale a agenda.

Aperta o play.

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