O mercado de tecnologia em Santa Catarina chegou a 2025 com uma combinação pouco comum no Brasil: R$ 47,9 bilhões em faturamento, 34,2 mil empresas e 102,2 mil empregos formais. O estado tornou-se o segundo maior mercado brasileiro em número de trabalhadores do setor, atrás de São Paulo, e a tecnologia passou a corresponder a 8% do PIB catarinense. O tamanho atual, porém, explica somente parte da história.
O setor catarinense cresceu sobre uma infraestrutura construída ao longo de décadas, formada por universidades, centros de pesquisa, incubadoras, associações empresariais, políticas públicas e empreendedores. Esse arranjo ganhou densidade primeiro em Florianópolis e posteriormente se expandiu por cidades como Blumenau, Joinville, Chapecó, Criciúma, Itajaí e Rio do Sul.
Os números recentes também revelam uma mudança de estágio. Entre 2021 e 2025, o faturamento do setor cresceu 45,5%, de R$ 32,9 bilhões para R$ 47,9 bilhões. Em 2025, a expansão anual foi de 12,7%, comparada a 7,1% no mercado brasileiro de tecnologia. O debate estratégico passa, portanto, a envolver como transformar essa escala econômica em maior produtividade, capacidade de internacionalização e crescimento empresarial sustentável.
O mercado de tecnologia em Santa Catarina em números e como ele foi construído
A posição de Santa Catarina muda conforme o indicador observado. O estado é o segundo do país em empregos formais de tecnologia, com 102,2 mil trabalhadores e 8,53% da força de trabalho nacional do setor. É o sexto em número de empresas, com 34,2 mil negócios, equivalentes a 5,2% do total brasileiro. Também aparece em sexto lugar em faturamento, com R$ 47,9 bilhões, muito próximo dos R$ 48,1 bilhões do Rio Grande do Sul.
O crescimento de 2025 foi relevante em duas frentes:
- O número de empresas aumentou 16,4%, enquanto o total brasileiro avançou 12,4%. Já o faturamento catarinense subiu 12,7%, ante 7,1% no Brasil.
2. No acumulado de 2021 a 2025, o estado ganhou 0,55 ponto percentual de participação no faturamento nacional de tecnologia.
A participação do setor na economia local também merece atenção. A tecnologia correspondeu a 8% do PIB catarinense em 2025, proporção inferior apenas às registradas por Amazonas e São Paulo, segundo o Observatório ACATE. Esse indicador ajuda a explicar por que o setor tem peso estratégico para Santa Catarina mesmo sem ter o faturamento absoluto de São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais.
O ponto de partida histórico está relacionado à construção de capacidade científica e técnica. Na UFSC, o primeiro mestrado da universidade e do estado foi criado em Engenharia Mecânica em 1969. Durante os anos seguintes, laboratórios do Centro Tecnológico intensificaram relações com empresas. Em 1982, por exemplo, começou uma cooperação com a Embraco, de Joinville, ligada à busca por independência tecnológica da fabricante.
Essa aproximação universidade-empresa ajudou a produzir novas instituições. Em 1984, uma articulação que envolvia a UFSC, governo estadual e organizações públicas e privadas deu origem ao que viria a ser a Fundação CERTI. A instituição, sediada em Florianópolis, passou a atuar em pesquisa, desenvolvimento e serviços tecnológicos.
Em 1986, a CERTI criou nas proximidades da UFSC e da UDESC a Incubadora Empresarial Tecnológica, inicialmente com sete empresas. O projeto evoluiu posteriormente para o CELTA. Em 1993, o CELTA participou da estruturação das primeiras unidades do Parque Tecnológico Alfa e, em 1995, passou a operar no parque em uma instalação construída pelo Governo de Santa Catarina.
O mesmo ano de 1986 marcou o nascimento da ACATE, originalmente Associação Catarinense de Telemática e Eletrônica. Em 1998, surgiu o MIDI Tecnológico, atual MIDITEC. A partir dos anos 2000, a associação expandiu a atuação para outras regiões, por meio de parceiros locais e polos regionais. Esse processo institucional ajuda a explicar por que o ecossistema de inovação em Santa Catarina adquiriu uma estrutura distribuída em vez de permanecer restrito à capital.
A interpretação histórica mais consistente, portanto, atribui a ascensão catarinense a uma acumulação de competências. Formação de engenheiros, pesquisa aplicada, relação com a indústria, incubação, redes empresariais e continuidade institucional aparecem documentadas ao longo de várias décadas. A qualidade de vida de Florianópolis também ajuda a atrair talentos, mas o crescimento do setor de tecnologia na cidade está mais diretamente ligado à força das instituições, à formação de profissionais qualificados e ao desenvolvimento do ecossistema de inovação.
Por que Florianópolis lidera e como a tecnologia se espalhou pelo estado
Florianópolis continua sendo o principal centro do mercado catarinense. Em 2025, a cidade registrou R$ 14 bilhões de faturamento em tecnologia, 44,8 mil empregos formais e participação de 21% do setor no PIB municipal. Os empregos de tecnologia representam 13% do mercado formal da cidade.
A concentração fica ainda mais clara quando se observa a Grande Florianópolis. A região respondeu por 39,6% do faturamento estadual em 2025, aproximadamente R$ 18,98 bilhões. Também concentra 53,3% dos trabalhadores do setor em Santa Catarina. O perfil regional tem forte presença de tratamento de dados, serviços de internet e desenvolvimento de software.
Essa liderança convive com uma descentralização econômica crescente. O Vale do Itajaí já responde por 28% do faturamento catarinense de tecnologia, R$ 13,4 bilhões em 2025. O Norte representa 17,6%, ou R$ 8,41 bilhões. Somadas, as duas regiões se aproximam da metade do faturamento estadual, mostrando que o setor de tecnologia em Santa Catarina não pode mais ser compreendido somente a partir de Florianópolis.
No Vale do Itajaí, Blumenau mantém uma base expressiva de software e serviços digitais. Há também cidades como Itajaí, onde a tecnologia aparece conectada a logística e serviços corporativos, e Rio do Sul, com um ecossistema empresarial próprio. Entre 2019 e 2024, a arrecadação municipal de ISS ligada ao setor de tecnologia passou de cerca de R$ 5 milhões para R$ 58,7 milhões em Blumenau e de R$ 15,1 milhões para R$ 47 milhões em Itajaí. O ISS não mede o faturamento integral do setor, mas funciona como evidência adicional de expansão da atividade de serviços tecnológicos.
No Oeste, Chapecó combina tecnologia com atividades ligadas ao agronegócio e serviços. A arrecadação de ISS tecnológico do município passou de R$ 3,9 milhões em 2019 para R$ 15,1 milhões em 2024. No Sul, Criciúma e cidades próximas vêm ampliando a base tecnológica em um território historicamente associado à indústria, mineração e cerâmica.
A descentralização também pode ser observada na infraestrutura institucional. A ACATE mantém polos com organizações parceiras em Blumenau, Criciúma, Chapecó, Rio do Sul, Itajaí, Lages e Joinville. Paralelamente, o Programa Nascer opera sobre uma rede de 15 centros de inovação distribuídos por cidades que incluem Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Joinville, Lages, Rio do Sul e Tubarão, entre outras.
Esse desenho regional é uma das características mais relevantes do mercado de TI em Santa Catarina. Florianópolis permanece como principal concentração de empresas, empregos e conhecimento especializado, enquanto diferentes regiões desenvolvem conexões próprias entre software, indústria, agronegócio, logística e serviços.
Startups, scale-ups e empresas consolidadas mostram um ecossistema mais maduro
Uma análise do mercado catarinense exige cuidado com os conceitos. As 34,2 mil empresas contabilizadas pelo Observatório ACATE formam o universo econômico do setor de tecnologia e não devem ser consideradas de startups por tabela. O Marco Legal das Startups estabelece critérios próprios para esse enquadramento, entre eles atuação inovadora, até dez anos de CNPJ e receita bruta anual de até R$ 16 milhões para os efeitos da legislação.
Por isso, ao longo deste conteúdo vamos usar o termo “scale-up” no sentido empresarial para descrever negócios que passaram da fase inicial e se encontram em expansão acelerada. Entretanto, é importante saliente que scale-up não é um termo tratado como categoria legal. Empresas consolidadas constituem outro grupo, formado por organizações com estruturas, receitas e operações mais maduras.
Os dados do Sebrae ajudam a observar especificamente o universo de startups. No Sebrae Startups Report Santa Catarina 2025, o percentual de startups sem faturamento caiu de 44,27% para 41,19%, enquanto 69,84% das empresas mapeadas estavam em validação ou tração. Na Grande Florianópolis, o levantamento identificou 974 startups; Sul e Oeste registraram crescimentos de 47,2% e 38,5%, respectivamente, em relação ao levantamento anterior.
A estrutura de receita também é relevante para o perfil do ecossistema. Segundo o mesmo levantamento, 63,72% das startups catarinenses analisadas operavam em B2B, 51% utilizavam receita por assinatura e 53% tinham software como principal produto. Os dados dialogam com o cenário nacional do Sebrae, no qual SaaS correspondia a 39,1% dos modelos de receita e 50,5% das startups eram B2B. As bases não devem ser comparadas como universos idênticos, mas ajudam a contextualizar o peso de software e recorrência.
O amadurecimento aparece ainda com maior nitidez nas empresas que chegaram a estágios avançados de capitalização e consolidação. Santa Catarina originou companhias como RD Station, Conta Azul, Softplan, Senior Sistemas, Asaas, Paytrack e outras que passaram a participar de operações relevantes de investimento ou M&A. Em 2021, a TOTVS adquiriu a RD Station em uma operação de R$ 1,86 bilhão. Em 2025, a norueguesa Visma adquiriu a Conta Azul, de Joinville, por cerca de R$ 1,7 bilhão.
O fenômeno ganhou escala no último ano disponível. A ACATE mapeou 28 M&As envolvendo o ecossistema catarinense em 2025, 47% acima das 19 operações de 2024. Oito negócios tiveram caráter internacional, o dobro do ano anterior. Houve também rodadas relevantes envolvendo empresas de Florianópolis, Joinville e Blumenau, entre elas Starian, PX, Paytrack e Involves.
Essas operações oferecem uma evidência mais concreta de maturidade do que a simples multiplicação do número de startups. Compradores e investidores estão olhando para receita previsível, governança, plataformas mais completas e capacidade de escala. A seletividade do capital também funciona como um contraponto à narrativa de crescimento contínuo: empresas que conseguem criar um produto interessante ainda precisam construir gestão, distribuição, eficiência operacional e mecanismos para crescer sem perder controle.
O futuro do mercado catarinense passa por produtividade, IA e capacidade de escala
Os próximos anos devem ser analisados com uma distinção clara entre tendência e resultado comprovado. Inteligência artificial já entrou na agenda empresarial catarinense, com programas, eventos e iniciativas voltadas a aplicações em negócios, software e indústria. Isso evidencia mobilização do ecossistema, mas ainda não oferece base suficiente para quantificar a adoção de IA em todas as empresas de Santa Catarina.
Na engenharia de software, a discussão tende a se deslocar da adoção de ferramentas individuais para o redesenho do processo de entrega. Geração mais rápida de código cria valor limitado quando arquitetura, testes, segurança, documentação, integração e governança continuam funcionando como gargalos. Para empresas em crescimento, produtividade depende da capacidade de transformar velocidade técnica em menor tempo de ciclo, previsibilidade e impacto de negócio.
Há uma razão econômica para esse debate. Santa Catarina ocupa a segunda posição nacional em empregos de tecnologia, mas o Observatório ACATE a coloca na décima posição em faturamento anual por colaborador, com R$ 469 mil. O indicador não mede sozinho a eficiência de uma organização, mas sugere espaço para que aumento de produtividade, modelos de maior valor agregado e internacionalização ganhem importância na próxima fase do setor.
A transformação das competências exigidas tende a ocorrer em paralelo. À medida que automação e IA assumem etapas de execução, engenharia de software demanda mais capacidade de arquitetura, validação, integração, segurança, contexto de negócio e supervisão técnica. Em Santa Catarina, discussões regionais de 2026 já relacionam IA a software, indústria e crescimento empresarial, embora o impacto agregado dessas tecnologias ainda precise ser medido nos próximos ciclos do Observatório.
A internacionalização forma outra frente. Desde 2024, a ACATE ampliou iniciativas de conexão internacional e hoje mantém presença no Canadá. O aumento das operações internacionais de M&A em 2025 oferece outro sinal de abertura do ecossistema ao capital e a mercados externos. Para empresas catarinenses, competir nesse ambiente exige produto, distribuição e tecnologia, além de governança, segurança, qualidade de software e capacidade operacional compatíveis com organizações de maior escala.
É nesse contexto de amadurecimento que a trajetória da Vibbra pode ser inserida. A Vibbra nasceu em 2016 com um modelo voltado à conexão entre organizações e profissionais de tecnologia. Ao longo da nossa trajetória, tivemos a oportunidade de crescer junto a esse ecossistema, inclusive com a participação no MIDITEC, programa pelo qual nos graduamos em 2021. Estar próximos de outras empresas, trocar experiências e contribuir para o fortalecimento da tecnologia em Santa Catarina é algo que valorizamos muito.
Nossa trajetória acompanha as transformações do mercado de tecnologia. Começamos como um marketplace de talentos e, ao longo dos anos, evoluímos para uma consultoria estratégica de tecnologia. Hoje, nosso foco é ajudar empresas a tomar decisões técnicas mais assertivas, reduzir riscos, ter mais previsibilidade nos projetos e ganhar velocidade nas entregas. Essa evolução reflete o que aprendemos ao longo do caminho e, principalmente, como queremos contribuir para os desafios de tecnologia dos nossos clientes.
Essa evolução também se reflete na forma como participamos do ecossistema de tecnologia de Santa Catarina. Em 2026, tivemos a oportunidade de colaborar com a Dígitro na estruturação do uso de agentes de inteligência artificial em processos de desenvolvimento de software, uma iniciativa que ganhou destaque em uma publicação da ACATE.
No mesmo ano, o Leandro Oliveira, CEO da Vibbra participou de uma conversa promovida pelo polo ACATE-CETUS, em Criciúma, sobre inteligência artificial, indústria e crescimento de negócios. Valorizamos essas oportunidades de compartilhar experiências, aprender com outras empresas e contribuir para as discussões que estão moldando o futuro da tecnologia no estado.
A trajetória catarinense sugere uma mudança clara de prioridade. Durante décadas, o desafio central foi criar as condições para que empresas tecnológicas surgissem e permanecessem no estado. Hoje, com dezenas de milhares de empresas, mais de cem mil empregos e quase R$ 48 bilhões de faturamento, a próxima etapa envolve transformar densidade empresarial em produtividade, organizações escaláveis e inovação economicamente sustentável.
Para líderes de tecnologia, isso traz uma consequência prática: decisões sobre arquitetura, modernização, inteligência artificial, engenharia e produto passam a influenciar diretamente a capacidade de crescer com previsibilidade. O futuro do mercado de tecnologia em Santa Catarina dependerá tanto da criação de novos negócios quanto da competência de empresas existentes para operar em níveis superiores de eficiência e competitividade.
É nesse estágio que uma consultoria estratégica de tecnologia pode contribuir: ajudando organizações a transformar desafios de software, produto e engenharia em decisões executáveis, com governança e critérios claros de resultado.
Se a sua empresa busca evoluir sua estratégia de tecnologia e transformar boas ideias em resultados concretos, queremos conversar com você.
Fale com a Vibbra e conte seu desafio para nós.