Dev, você ainda vai codar. Mas não como você acha. Conversei com Everton Bernardes sobre o novo papel do dev na era da IA

Card do Vibbracast, episódio 07, destacando a conversa com Everton Bernardes, sócio e CTO da Vibbra, sobre o novo papel do desenvolvedor na era da IA.

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Se você é dev e chegou aqui achando que ia ler mais um texto sobre “como sobreviver à IA”, já aviso que a conversa toma outro rumo. A pergunta que a comunidade dev vem repetindo há dois anos está errada.

Gravei um Vibbracast com o Everton Bernardes, meu sócio e CTO da Vibbra. O Everton lidera, na prática, a implantação do modelo de Squads Cognitivos nos clientes. Ele é a pessoa dentro da nossa operação que mais senta ao lado de desenvolvedores para explicar como o dia a dia muda quando IA e humanos passam a dividir a mesa de trabalho, e é quem tem visto de perto o que separa o dev que se adapta rápido daquele que trava.

Leandro Oliveira e Everton Bernardes sorriem em estúdio de podcast da Vibbra, sentados à mesa com microfone, tela do Vibbracast e elementos de acústica ao fundo.

Esse episódio é o mais técnico e o mais duro dos que gravamos até aqui. E é pra você que é dev, tech lead, ou lidera time de engenharia dentro da sua empresa.

Cinco pontos que ficaram.

1. A pergunta que você deveria estar fazendo não é essa

Abri a conversa com o Everton pelo elefante da sala.

"O dev deveria estar com medo de perder o emprego pra um agente, ou pro dev do lado que aprendeu a operar com um?"

A resposta dele foi cirúrgica. O medo do agente é ilusão. O que vai acontecer é ressignificação do papel. O dev que se recusar a operar com IA vai ser deslocado dentro do fluxo. Não porque é ruim, mas porque está codificando mais lento do que os agentes, dentro de um processo que agora tem duas cognições operando em paralelo.

Um pedaço da fala dele que ficou:

“Se a empresa for pra um processo de squad cognitivo, esse dev provavelmente vai estar na parte da cadeia onde consegue agregar valor pro negócio. Porque na codificação ele não vai competir com a IA.”

Se você não vai competir na codificação, precisa saber pra onde é que você vai competir. E isso, o mercado ainda não está dizendo pra você com clareza.

2. O primeiro gargalo que a IA quebrou foi o da digitação. E se você trabalha em paralelo, o gargalo vira você.

Esse insight talvez seja o mais subestimado da conversa toda.

Todo mundo fala em ganho de produtividade com IA. Pouca gente para pra entender o que exatamente foi acelerado. Nas palavras do Everton:

“O primeiro gargalo que a IA quebrou foi o gargalo da digitação. A IA traz o output muito mais rápido do que o desenvolvedor consegue codificar.”

Bastidores da gravação do Vibbracast, com Leandro Oliveira e Everton Bernardes em estúdio e monitor exibindo a prévia das câmeras do podcast.

Isso sozinho já muda a economia da engenharia. Mas o ponto sério vem depois.

Quando você começa a trabalhar em paralelo, com múltiplos agentes rodando ao mesmo tempo em worktrees separadas, tocando 10 bugs simultaneamente, o gargalo migra. Vira você. Não pra codificar. Pra validar.

E o Everton foi honesto sobre isso. Você não vai conseguir validar os 10 bugs em paralelo. Vai fazer em série, enquanto os agentes rodam. A sua velocidade de validação vira o novo teto de produtividade do time.

O dev que entender isso primeiro vai virar a peça mais valiosa do squad, porque é ele que mantém o pipeline fluindo.

3. “É como receber uma funcionalidade de um dev com 20 anos de casa.”

Quando pedi pro Everton descrever o dia a dia real de um dev dentro do Squad Cognitivo, o ele usou essa analogia. E ela sintetiza melhor do que qualquer diagrama.

O dev abre o dia com uma tarefa. Diferente de antes, ele não vai gastar horas caçando solução no Stack Overflow, no Git da empresa, ou desenhando documentação técnica no Confluence. A IA agêntica já traz. Dois, três cenários de solução, com contexto do código e do sistema.

O papel do dev nesse momento é validar a documentação técnica. Escolher o caminho, ou combinar dois em um híbrido que o agente não propos.

Depois disso, ele chama o orquestrador. O orquestrador dispara múltiplos agentes especializados que executam o código. O dev recebe um pull request em draft, roda, valida.

“É como se você estivesse recebendo uma funcionalidade de um desenvolvedor com 20 anos de casa. Você pega o pull request, valida, roda, entende se está de acordo.”

Se está fora do padrão, ele descarta e vai pra segunda possibilidade. Se está dentro, ele refina. Cada commit dele vira aprendizado da base neural do time.

E aqui mora o pulo do gato do modelo.

No próximo ciclo, os cinco commits de refinamento viram quatro. No ciclo seguinte, três. A esteira aprende. Por isso o ganho é exponencial, não linear.

4. O caso do sistema de 25 anos que caía toda segunda-feira

Leandro Oliveira e Everton Bernardes gravam um episódio do Vibbracast em estúdio de podcast, sentados à mesa com microfones, câmeras e iluminação profissional.

Esse foi o caso mais concreto do episódio.

Um cliente tinha uma ferramenta com 25 anos de estrada. Toda segunda de manhã, na daily, ela caía. Ninguém sabia o motivo. Java, hibernate, particularidades que só quem estava na empresa há uma década conseguia intuir onde procurar.

O Everton contou o que fez. Colocou IA agêntica monitorando o log da aplicação, com contexto do código e do sistema.

Na primeira semana, resolveu.

Não é o “IA resolve tudo” mágico. É o oposto. O que ele fez foi devolver ao time da empresa o conhecimento da própria ferramenta. Não precisou mais depender exclusivamente do dev sênior que tinha o mapa mental do sistema. Qualquer dev com IA + acesso ao log passou a conseguir destravar o bug.

“Aquelas pessoas de 20 anos de casa não precisam mais me dizer onde está o problema. Elas conseguem, com um comentário de duas linhas no Jira chamando o agente, destravar um dev júnior que ficava horas esperando alguém.”

Traduzindo: o veterano não perde valor. Muda o eixo. Ele para de ser o “único que sabe” e passa a ser o multiplicador. Uma cabeça sênior + IA rende por dez.

E antes que alguém pergunte sobre o caso do Replit que apagou banco de dados: perguntei também. A resposta do Everton foi uma linha:

“O Cloud não apagou. Quem apagou foi o dev que permitiu.”

Ambiente controlado, permissão certa, guardrail no lugar. A IA é ferramenta poderosa. Delegar responsabilidade pra ela é outro problema.

5. “Não quero virar revisor de código de IA” é uma leitura errada do jogo

Essa resistência a gente ouve muito. Devs experientes que dizem que gostam de codar, que não querem “virar babá de agente”, que não querem “revisar código de IA o dia inteiro”.

O ponto é, você não vai revisar. Você vai criar os padrões que a IA vai seguir. Vai desenhar a arquitetura em que os agentes vão jogar. Vai definir os guardrails que impedem coisa boba em produção. Vai fazer as escolhas de negócio dentro do código.

“Quando criamos uma funcionalidade que o cliente elogia, não foi a IA que fez. Foi o desenvolvedor que tomou a decisão de colocar aquilo. Ele olhou pro que o cliente precisava e escolheu.”

Codificar deixa de ser sobre digitar if-else. Passa a ser sobre decidir onde o if-else importa.

Se você gera valor ao tomar essas decisões, você não vai virar babá de agente. Vai virar arquiteto do sentido, e o cliente vai continuar te elogiando por isso. Só que agora entregando dez vezes mais.

Bônus: “menos um X-salada”

Perguntei ao Everton qual o primeiro experimento honesto que um dev deveria rodar essa semana, sem depender da empresa liberar orçamento ou a liderança abrir espaço.

Sai do GPT solto, sai do DeepSeek solto, vai pra uma ferramenta agêntica de verdade. Cursor, Cline, Windsurf, Claude Code. Tem opção rodando por 2 a 5 dólares por mês, se você caprichar na configuração.

A colocação dele:

“Dois dólares. Menos que um X-salada. E pode ser o salto de carreira que você está esperando dar já faz tempo.”

Sem fetiche por ferramenta cara. Sem esperar a empresa. Sem esperar o RH avisar que a jornada vai começar. É começo, é individual, é agora.

Um ponto meu pra fechar

Testamos o Squad Cognitivo em vários perfis de dev. Sênior, pleno, júnior, técnico raiz, generalista, resistente, entusiasta. E uma coisa ficou clara nesses meses.

Não é qualidade técnica que separa quem se adapta rápido de quem trava. É abertura pro novo.

Gravação de episódio do Vibbracast em estúdio de podcast, com Leandro Oliveira e Everton Bernardes sentados à mesa, microfones, câmeras e equipamentos de transmissão.

Vi dev sênior em quem a gente apostava alto travar por resistência ao modelo. Vi dev pleno considerado mediano decolar em duas semanas porque topou a mudança de mentalidade.

Se você tem preconceito com IA, se acha que codificar rápido é sinônimo de superficialidade, se acha que revisar código de agente é rebaixamento de carreira, você mesmo está criando o atrito que vai te deixar pra trás.

Não é o mercado que vai te tirar do jogo. É o dev do seu lado que topou aprender antes.

Onde ouvir o episódio completo

Episódio completo no YouTube e no Spotify. Links abaixo.

🎧Spotify: https://open.spotify.com/episode/6GEC8dgknniYJVlyubVRD2?si=vZwmHpPHRwe3Y7yAOq5ZSw

🎧Youtube: https://youtu.be/njYbPvuM2C4

São cerca de 45 minutos, dos mais densos e técnicos que já gravamos. Se você é dev, tech lead, engineering manager ou está formando time de engenharia agora, esse episódio é obrigatório. Não como consumo cultural. Como movimento de carreira.

O Everton descreve, em detalhe, como é o dia a dia do dev dentro do Squad Cognitivo que estamos implantando nos clientes. Cada etapa, cada ferramenta, cada guardrail. É uma aula prática, gravada no Vibbracast.

Aperta o play. Vale mais que um X-salada 😉

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