Saiu esta semana o episódio do Vibbracast com o Leonardo Loureiro, CTO da Senior Sistemas. Multinacional brasileira com 37 anos de história, mais de 2.700 colaboradores, R$ 1,17 bilhão de receita em 2025, crescimento de 20% sobre 2024, e mais de 14 mil grupos econômicos atendidos no Brasil e na América Latina. Por trás disso tudo, uma operação de engenharia com quase mil desenvolvedores rodando produto e plataforma, e que está entre as mais maduras com as quais trabalhamos.
A Senior é cliente da Vibbra, e estamos juntos na implantação do modelo de Squads Cognitivos dentro da operação deles. O Leonardo lidera essa frente do lado da Senior, com a sofisticação e o rigor que se espera de quem comanda uma operação desse tamanho.
Esse episódio foi a primeira vez que sentamos para conversar publicamente sobre o que está acontecendo na prática.
A conversa rendeu. Trago aqui cinco pontos que valem a discussão.
As três perguntas que marcaram o início da transformação na Senior
Antes de chegar ao modelo cognitivo, a Senior passou pela mesma curva que vemos em quase toda empresa madura. Distribuíram Copilot e Cursor para os desenvolvedores, deixaram cada um usar do jeito que achasse melhor e foram acompanhar os números.
O ganho médio de produtividade em 2025 ficou em torno de 20%. Mas, dentro disso, alguns times saltaram para 30, 40, 50%. Vieram então as três perguntas que o Leonardo articulou bem na conversa, e que sintetizam exatamente o ponto em que o mercado está hoje:
- Por que alguns times saem disparados e a média geral não acompanha?
- Por que algumas etapas aceleram 60%, 70%, mas o fluxo total continua no mesmo patamar?
- E a terceira, nas palavras dele: “Enquanto eu continuar automatizando etapas de forma individual, mexendo no meu as-is, será que eu vou atingir o resultado que eu quero? Será que eu não preciso rever o processo como um todo?”
Foi essa pergunta que abriu o caminho para a Senior virar a chave e estruturar internamente o Project Speed. E foi também o ponto em que nossas duas visões se encontraram, e que abriu a porta para o trabalho que estamos fazendo juntos com o Squad Cognitivo lá dentro.
É o mesmo argumento que venho batendo em todas as conversas com líderes de tecnologia:
“ganho pontual de IA não vira ganho organizacional.”
O processo precisa ser redesenhado em volta da nova cognição, não acelerado em cima do desenho antigo.
Squads orientadas a valor, não a tarefa
Esse foi o ponto em que nossa conversa convergiu mais naturalmente. O Leonardo descreveu como o time da Senior mudou a forma de trabalhar. Gerar código deixou de ser o gargalo. O gargalo passou a ser entender bem o problema, definir bem a entrega de valor. O time saiu da execução pura e foi para o sentido. A síntese que mais ficou comigo:
“Squads deixam de ser orientadas por tarefas. Passam a ser orientadas por valor.”
E ele completou:
“Toda essa revolução do modelo agêntico força as pessoas a entenderem o que deve ser feito, e não só executarem pedidos. Uma vez que o pedido está bem definido, executar virou a parte fácil.”
Isso é, na prática, um dos quatro pilares que tratamos no modelo de Squad Cognitivo: redefinição de papéis. Os outros três, processo, agentes/automação e cultura, apareceram em outros momentos da conversa, e, se você escutar o episódio inteiro, vai pegar como esses pilares foram aterrissando na realidade de uma operação como a da Senior.
O ponto que reforcei com ele, e que vale para qualquer CTO: essa não é uma mudança de ferramenta. É uma mudança da fundação operacional da engenharia. Quem trata como upgrade de ferramenta vai colher upgrade de ferramenta, que é pouco.
O roadmap que está sendo antecipado
Esse foi um dos números mais concretos do episódio. A Senior tem um roadmap de produtos planejado de janeiro a dezembro de 2026. Várias das entregas previstas para dezembro já estão sendo replanejadas para outubro. Algumas para setembro. Algumas para agosto.
E aqui o Leonardo articulou com uma clareza que poucos líderes conseguem articular:
“Não queremos ganhar só velocidade. Queremos entregar mais valor. Agora conseguimos revisar o roadmap, entregar mais, e o valor cresce de forma exponencial sem precisar crescer time.”
Esse é exatamente o tipo de resultado que buscamos quando aplicamos o modelo. Velocidade sem direção é só caos acelerado. Velocidade com revisão de roadmap é vantagem competitiva. A Senior está executando isso bem, e a forma como o time deles está absorvendo a mudança é o que mais acelera o ROI.
O hackathon que confirmou a virada do pipeline
Nos últimos meses, a Senior fez um hackathon interno de dois dias. A observação que o Leonardo trouxe pega o ponto exato da virada:
“Mais da metade do tempo, os participantes passaram contextualizando negócio. Tentando entender qual era a necessidade do cliente, quais eram as regras, qual era o valor. Só depois de 50, 60% do tempo, partiram para a execução.”
Antes da IA, essa distribuição era impensável. O tempo de execução comia o calendário, a contextualização era luxo. Agora a equação inverteu.
Citação exata:
“Essa dinâmica de pensar na necessidade de negócio é a grande alteração do pipeline. Mais tempo focando no negócio, mais tempo entendendo o que precisa ser feito, e não simplesmente fazendo.”
Esse mesmo padrão é o que observamos nos times de clientes que já avançaram. Quando a IA assume a execução, o tempo humano migra para onde ele agrega mais: contexto, decisão, validação, garantia. Não é teoria. É redistribuição de tempo no calendário do time.
“Não é evolução. É revolução.”
Quando perguntei o que vai separar quem fica à frente nos próximos dois, três anos de quem fica para trás, ele respondeu sem rodeios:
“Quem está tratando essa era da IA e dos agentes como uma ferramenta, ou como uma evolução da forma de trabalho, já está para trás. Não é uma evolução do desenvolvimento. É uma revolução da forma de criar produto.”
A IA não é só catalisador técnico. É mudança de era. Muda como empresas se relacionam com clientes, como profissionais se relacionam com empresas, como software se relaciona com o mercado.
E sobre o tempo da transição, ele foi mais direto ainda:
“Quem não começou ainda está a tempo. Mas está atrasado. Estamos falando de meses, não de anos.”
Completei dizendo o que tenho repetido em todas as conversas com líderes de tecnologia: neste momento, é melhor estar um pouco paranoico. A IA está vindo tão rápido que, se você ficar achando que está tudo bem, quando se dá conta, foi atropelado.
Fechamos esse ponto olhando um para o outro com a mesma cara. A janela está se fechando, e ela não espera roadmap de board.
Bônus: a pergunta que ele fez para a filha de 10 anos
Para fechar o episódio, o Leonardo contou um caso pessoal do final de semana com a filha de 10 anos. Ela quis montar um joguinho da forca usando IA, daqueles educativos. Ele olhou e fez uma pergunta simples, que tirou a brincadeira do lugar comum e sintetizou tudo o que a gente tinha discutido por meia hora.
Não vou contar aqui qual foi.
Mas a resposta, e o que ela ensina sobre como deveríamos estar fazendo IA dentro das empresas, está no episódio. É curtinha. É cirúrgica. E é, talvez, a melhor síntese de tudo que conversamos.
Onde ouvir o episódio do Vibbracast completo?
Episódio completo no YouTube e no Spotify. Links abaixo.
🎧 YouTube: https://youtu.be/DprlVZNEhiI
🎧 Spotify: https://open.spotify.com/episode/3DQ4e2ZxfBaAnorqxsBxPq
São cerca de 35 minutos. Vale cada minuto, especialmente se você lidera engenharia, está pensando em como aplicar IA no fluxo, ou quer ouvir de dentro como uma operação de software grande e madura está implementando o Squad Cognitivo, com a Vibbra ao lado.